quarta-feira, julho 01, 2009

O Caco é craque

Em meio a grande discussão e tristeza provocada pelo fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, o repórter (diplomado) Caco Barcelos e sua equipe (todos em formação ou formados) deram uma aula de bom jornalismo.

Com muita astúcia, senso crítico e, principalmente, compromisso social a equipe do "Profissão Repórter" mergulhou no mundo crack (nóia) em São Paulo. Expostos a pedradas, xingamentos, agressões verbais Caco se arriscou a ir para a cracolândia e ficar lado a lado com os viciados.

A produção do programa mostrou com muita presteza os dois lados do problema. Os personagens eram ricos e pobres. Uns com direito a clínicas, enquanto outros continuam sem saída jogados na sargeta.

Em minha avaliação o trabalho é digno de prêmio. O Caco é craque!

Agora, aproveito essa revelação para indagar: será que os sem diploma, precários, queridinhos dos patrões, arrumadinhos de plantão fariam esse trabalho?

Como sou inquieto darei minha resposta. É claro que não.

E por um motivo simples. Somente os formados em boas academias (faculdades e universidades) têm clareza do papel que ocupam na sociedade. Sabem que além do status da profissão está sua capacidade de aprofundar os temas que incomodam.

É por isso que adoro e luto pela profissão de repórter. Quando bem feita quem ganha é a sociedade e, por consequência, todos nós.


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Esta postagem gerou um debate com o jornalista e blogueiro Mário. Entre os seus comentários ele indicou um link. Nele os jornalistas Artur Xexéo e Carlos Heitor Cony, da CBN, emitem sua opinião contrária ao diploma. Para os dois o que deveria prevalecer é a competência.

É claro que discordo desta afirmação, mas compreendo em que situação se encaixa. Entretanto, prefiro cobrar competência de quem estudou para a função.

O link é este:

5 comentários:

Mário disse...

Marcos, o Caco Barcellos discorda de você.

Olha o que ele respondeu quando perguntado sobre o diploma:

"Um dos convidados da platéia perguntou a Barcellos sua opinião em relação ao diploma do jornalista, se deve ou não ser obrigatório para o exercício da profissão.


“O diploma vai se tornar uma coisa secundária. Do ponto de vista formal, o fundamental é o conteúdo de quem está escrevendo. Os tempos são novos. São tempos de reportagem. A gente vai fazer a diferença, e os equipamentos vão ser melhores e vão nos ajudar. Por mais que a gente queira defender, não vai mais ter sentido”, respondeu Caco.
Barcellos acredita que o grande diferencial dos jornalistas é o compromisso em passar para as pessoas um jornalismo sério e responsável. E que o principal no jornalismo investigativo é que não pode haver polêmica."

Aqui tá o link:

http://www.grupouninter.com.br/assessoriajr/index.php?edicao_id=45&menu_id=27&id=258

Mário disse...

Outra coisa, Marcos, Barcellos foi citado (inclusive na sessão do STF)como um dos exemplos de bons jornalistas que não têm diploma. Com essa sua postagem, fiquei em dúvida. Pesquisei no google e há pessoas afirmando que a informação de que Barcellos não tem diploma não procede. Ele teria largado o curso de engenharia e se formado em comunicação na PUC/RS. Afinal, ele tem ou não tem diploma?

Mário disse...

Tem esse perfil aqui.

http://www.causapropria.com.br/Prints.php?Area=Posts&Action=Read&SL=1&ID=13709&System=Print

Mas não fala sobre a formação do Caco Barcellos, exceto que ele cursou matemática, não engenharia e comunicação como vi noutro site.

Marcos "Tchôla" Rodrigues disse...

Caro Mário,

o Caco veio por estas bandas para a cobertura do Caso PC (anos 90). A presidente do Sindjornal a época era a jornalista Fátima Almeida. Ele foi convidado para uma palestra e conversou com profissionais e estudantes.

Tive a chance de encontrá-lo antes do evento. Ele confirmou a formação em jornalismo, inclusive, que custeou o curso dirigindo um táxi como diarista.

Quando se propôs a falar com os estudantes ele fez questão de dizer que as escolas precisariam formar melhor "se não acabariam". E olha que esse comentário surgiu a mais de 15 anos atrás.

Portanto, quero crer que ao longo do tempo ele foi ficando descrente com a formação acadêmica. Penso ainda que se com estes processos de mobilização e até de cobrança de melhor qualidade do ensino o próprio Caco possa refazer sua opinião.

Até onde sei ele é flexível e mesmo sendo "global" não comunga da versão oficial da empresa.

A prova disso é esse projeto com os estudantes. Se na prática ele levasse ao pé da letra a própria declaração que deu já teria convocado pessoas de outras áreas e até sem diploma.

Valeu pela participação no blog. Abraço!

Mário disse...

Marcos, escute o comentário do Cony e do Arthur Xexéo sobre o diploma:

http://mariotblog.blogspot.com/2009/06/os-jornalistas-e-o-diploma-parte-final_21.html

Abraço!